segunda-feira, 7 de julho de 2008

Desespero do existir

O amor não é a única grande verdade que nos levará ao paraíso
A sinfonia inebriante da fé faz com que muitos se divirtam nesse jogo
Acordar nem sempre é possível sem uma nova visão do amanhã
Cochilando no vale da morte somos jogados na masmorra
A verdade dita consola o vazio do desespero que coroe a existência
Quero uma tv e uma arma para com quem conversar no jantar.

A beleza do existir é o prazer, custe o que custar ao próximo
Nem que seja a miséria que pagamos por nossa necessidade súbita
Hoje tudo é colorido artificialmente, a vida, o sonho e a esperança
Embora as mesmas não sejam notórias no âmbito do despejo da dor
O consciente sob pressão ao estilo de um decorador de almas perturbadas
Não serei monopólio de nenhum um ideal, continuo no lugar de esquecimento.

Que comece o definhamento em lágrimas, ela é tudo que tenho para consumir
O lenço que extrai a agonia da minha face é o mesmo que limpa minha boca de prazer
Farei de uma estrela meu coxim, aqui está insuportável, a sociedade em ruínas
O mundo está morrendo e o ouro negro nascendo, milliardaires, milliardaires
Eu acredito em segregações, muros, covardia, ódio, discriminação, inveja e poder
Andar nas minhas verdades é o veneno para o seu sono, eu acredito em você, e você?

(MV)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A concepção

O que restou da química do seu sorriso,
O leve e fresco ar da sua elegância,
Paguei e percorri um longo caminho Para ir ao lado errado de você,
A emoção de gastar foi à última,
Num vazio de uma rainha hipócrita.

Ela vai voltar e encontrar o que perdi,
Todo o tempo que não tive, ela só fez gozar,
O sofrimento do respeito forjado pelo dinheiro,
Eu nunca tive o tédio no meu sangue até você tocar meus lábios,
Ela sabe de tudo dentro de seu desejo,
poder e orgulho,
Não espero tocar a face de Deus e nem nada especial.

Apenas acreditar na farsa dessa garota,
Este é o tempo que tenho que esperar,
Até ele curva-se diante de mim feito uma piada,
O real se desfez dentro de seu amor,
A invenção de sua concepção gloriosa,
Sou eu que nada pude fazer.

Ela tem algumas faces que não consigo ver,
O subterrâneo está escuro como sua depressão,
Mais uma vez ela transou com narciso e eu aqui,
As luzes apagam devo ir para algum lugar,
Em casa sozinho novamente estou deitado,
Uma mão leve me sufoca até o despertar.

(MV)

sábado, 28 de junho de 2008

Estoicismo

Aplausos nus para uma crônica sobre Deus
Traços da virtude de um austero estão na juventude
Frustrada por não ser o que é
O tratamento é mais um dia com angústia
A compaixão flui como uma substância enigmática
Para a vergonha que é a esperança no próximo.

Os ensinamentos estão mortos para o ser vazio
A alegria do egoísmo de desejar a mudança do outro
É a introdução para a decadência do que existe
Mas o momento é de aprender com o inimigo
E o sofrimento estóico com sua fascinação
Pela vida que alcançará toda as metas.

(MV)

domingo, 22 de junho de 2008

Terra Estranha

A noite é mais solitária
O silêncio é frio
A grama é coberta pelo sangue do céu
O sol tímido nasce e morre na depressão do frio
A alegria bucólica que surge
Na arquitetura das ruas de Viena
É como beber um mint julep no verão de Long Island
Ao som de Chet Baker
Sem endereço me encontro em meio a dor da distância
Estar em casa a sós é confortante,
Temos consciência que há alguém próximo,
Mas não contigo

O tempo constrói e molda a sua maneira
Não há beleza,Nem dinheiro
Família e amigos lá estão
Aqui, eu destruo todas as projeções
De uma mãe para um filho
Coisas boas nem sempre estão em qualquer lugar...
A veracidade consta em você acreditar
Retornar não é a solução. Ir a diante é?
Não sei, continuo sem rumo ao tudo e ao nada
Absolutamente acreditando na farsa da mentira.

(MV)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Velório da vida

Acordei vendo tudo em negro, que dia é esse?
Nessa manhã escura percebo a tristeza
Estampada em todos, a natureza é a única
Intacta ao meu olhar cabisbaixo sobre
O terno que me veste, é como se fosse
Invisível, o modo de falar é um monólogo
Esquecido em meio às vozes da sociedade
Ouço lamentações e sinto lágrimas caírem

Nada é tão escuro como o medo e a frustração
De não ser o que você já foi, tudo está perdido!
Talvez eu não encontre a definição para hoje
Vou experimentar a saudade de desejar um
Dia sem tantos conhecidos, falam tanto ao
Meu respeito, gostaria de não ouvir tudo
À vela com seu perfume da morte está em
Todos os lugares, a última palavra citada é “amém”!

(MV)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Buquê inconfundível

Bocejando diante a preguiça que envolve o meu corpo
O tempo devora a obrigação do sol em brilhar mais um dia
Tudo tão confortável na prática do nada
Garotos e garotas regozijam com a mesmice
Do outro lado a cidade pulsa, e eu a observo a poeira
Bailar no ar da sala, junto a um Malbec.

O estresse é ignoto como o trabalho
O dinheiro harmoniza a vida que levo
Rega o jardim dos meus prazeres
O Amanhã é distante de hoje, há muito que gozar
Entorpecido pelo ócio marco mais uma página do
Livro que lia até o entregador chegar com a comida.

Não sei o que compro hoje constelações ou almas
Com olhares distorcidos desisto da aquisição
Isso não é nada para a ganância de um homem
Preciso assinar o cheque da junção criatividade
Mente, infelizmente isso não pára de funcionar
Talvez eu compro a cura para todos os males.

Todos os crimes que a minha mente já executou
Não são suficientes para que me conduza ao fim
A própria me livra com suas ótimas defesas
Abro um Veuve Clicquot Ponsardin para
Celebrar mais uma absolvição do Super Homem
E a culpa no fim é revelada, o ócio está exausto!

(MV)

sábado, 17 de maio de 2008

A cirurgia da leitura

Shakespeare o globo foi pequeno para ti
Buda transformaram sua árvore em dinheiro
Para desfilarem na limusine da luxúria
Nietzsche será que futuro retornará
Para impedir que Goethe não seja mais o mesmo
Freud me disse que o único sorriso que amei foi
Da plástica feita pela bravura do capital, já que
Nem mesmo as poesias do Senhor Zimmerman
Convence-me que essa passagem é simples.

Outro dia encontrei Hesse em suas narrativas
Dizendo Mademoiselle permettez... Depois
De cometer um assassinato, Nem Kundera
Com seu riso cairia no esquecimento
Mann deveria nos levar para sua Montanha Mágica
E lá nos deixar para geladuras marcarem nossas faces
Mas somente os Deuses sabem como o descaso é
Uma arma na mão dos miseráveis
Querido Deus o seu amor é de matar.

(MV)