sábado, 30 de agosto de 2008

Alice

Ali se eu estivesse, no Éden estaria,
Ali se eu estivesse, o caminho percorreria,
Ali se eu estivesse, o fim se desfaria,

Ali se eu fosse, eu não seria,
Ali se eu fosse, você não teria,
Ali se eu fosse, eles não saberiam,

Ali se eu pedisse,
Ali se eu implorasse,
Ali se desejasse, nada poderia,

Alice no princípio estive,
Alice o caminho percorri,
Alice o fim não se desfez,

Alice lá eu fui,
Alice lá você esteve,
Alice lá eles souberam,

Alice eu pedi,
Alice eu implorei,
Alice eu desejei, e agora, nós temos?

(MV)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Doce Prazer

A preocupação de todos é como um conselho
Um tiro na fotografia da satisfação
O pesar é que ela não sangra nem morre
O sonho das brincadeiras são apenas palavras
No jardim do desejo onde ninguém semeia
Não há futuro diante da verdade.

A mentira que você afaga em seus braços
Como uma criança estranha
Irá crescer como sua dor
O tempo é um círculo, ele voltará
A explicação é uma benção não dita
Aos que querem um motivo para viver.

O pecado é uma instigante e maravilhosa forma de iludir
Seja eu ou o conselheiro, todos sucumbimos a ele
Vamos para a cidade do desejo, você vem?
Não recordo do simples fato onde é
Ele está onde quiser, eu o encontrarei
O prazer ainda é o atalho mais fácil para a felicidade.

(MV)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A partida

O olhar através da janela revela
Um gesto que se desfaz com
O cenário em movimento e
As lágrimas que fluem com
A separação da partida.

A estrada tem sabor de saudade.
E a solidão de quem fica é acesa
Por mais um cigarro que não basta
Para suprir a ausência de um vício
Que a destrói e edifica com dizeres.

O regresso é penoso, não estou lá!
A distância segue a sua lei selvagem
Com a kilometragem dilaceradora.
Mas o que nos falta é interromper
O contra-senso que a existência nos oferece.

(MV)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Desespero do existir

O amor não é a única grande verdade que nos levará ao paraíso
A sinfonia inebriante da fé faz com que muitos se divirtam nesse jogo
Acordar nem sempre é possível sem uma nova visão do amanhã
Cochilando no vale da morte somos jogados na masmorra
A verdade dita consola o vazio do desespero que coroe a existência
Quero uma tv e uma arma para com quem conversar no jantar.

A beleza do existir é o prazer, custe o que custar ao próximo
Nem que seja a miséria que pagamos por nossa necessidade súbita
Hoje tudo é colorido artificialmente, a vida, o sonho e a esperança
Embora as mesmas não sejam notórias no âmbito do despejo da dor
O consciente sob pressão ao estilo de um decorador de almas perturbadas
Não serei monopólio de nenhum um ideal, continuo no lugar de esquecimento.

Que comece o definhamento em lágrimas, ela é tudo que tenho para consumir
O lenço que extrai a agonia da minha face é o mesmo que limpa minha boca de prazer
Farei de uma estrela meu coxim, aqui está insuportável, a sociedade em ruínas
O mundo está morrendo e o ouro negro nascendo, milliardaires, milliardaires
Eu acredito em segregações, muros, covardia, ódio, discriminação, inveja e poder
Andar nas minhas verdades é o veneno para o seu sono, eu acredito em você, e você?

(MV)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A concepção

O que restou da química do seu sorriso,
O leve e fresco ar da sua elegância,
Paguei e percorri um longo caminho Para ir ao lado errado de você,
A emoção de gastar foi à última,
Num vazio de uma rainha hipócrita.

Ela vai voltar e encontrar o que perdi,
Todo o tempo que não tive, ela só fez gozar,
O sofrimento do respeito forjado pelo dinheiro,
Eu nunca tive o tédio no meu sangue até você tocar meus lábios,
Ela sabe de tudo dentro de seu desejo,
poder e orgulho,
Não espero tocar a face de Deus e nem nada especial.

Apenas acreditar na farsa dessa garota,
Este é o tempo que tenho que esperar,
Até ele curva-se diante de mim feito uma piada,
O real se desfez dentro de seu amor,
A invenção de sua concepção gloriosa,
Sou eu que nada pude fazer.

Ela tem algumas faces que não consigo ver,
O subterrâneo está escuro como sua depressão,
Mais uma vez ela transou com narciso e eu aqui,
As luzes apagam devo ir para algum lugar,
Em casa sozinho novamente estou deitado,
Uma mão leve me sufoca até o despertar.

(MV)

sábado, 28 de junho de 2008

Estoicismo

Aplausos nus para uma crônica sobre Deus
Traços da virtude de um austero estão na juventude
Frustrada por não ser o que é
O tratamento é mais um dia com angústia
A compaixão flui como uma substância enigmática
Para a vergonha que é a esperança no próximo.

Os ensinamentos estão mortos para o ser vazio
A alegria do egoísmo de desejar a mudança do outro
É a introdução para a decadência do que existe
Mas o momento é de aprender com o inimigo
E o sofrimento estóico com sua fascinação
Pela vida que alcançará toda as metas.

(MV)

domingo, 22 de junho de 2008

Terra Estranha

A noite é mais solitária
O silêncio é frio
A grama é coberta pelo sangue do céu
O sol tímido nasce e morre na depressão do frio
A alegria bucólica que surge
Na arquitetura das ruas de Viena
É como beber um mint julep no verão de Long Island
Ao som de Chet Baker
Sem endereço me encontro em meio a dor da distância
Estar em casa a sós é confortante,
Temos consciência que há alguém próximo,
Mas não contigo

O tempo constrói e molda a sua maneira
Não há beleza,Nem dinheiro
Família e amigos lá estão
Aqui, eu destruo todas as projeções
De uma mãe para um filho
Coisas boas nem sempre estão em qualquer lugar...
A veracidade consta em você acreditar
Retornar não é a solução. Ir a diante é?
Não sei, continuo sem rumo ao tudo e ao nada
Absolutamente acreditando na farsa da mentira.

(MV)