sábado, 17 de maio de 2008

Condenados à liberdade

Esse escarro dado em suas costas
Foi como destruir sua dignidade
Desculpem-me por nada fazer
Meus sonhos são culpados por
Vender crucifixos sem valor
E o filho da verdade parte para
O fim dissolvendo todas as Dúvidas
O começo da mentira é empolgante
Mas o meio é anestésico para vida
Definitivamente a liberdade é uma
Prisão que todos nós perseguimos.


(MV)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A breve vida

A mancha sempre será a memória
Daquela noite
Contar minha vida não seria fácil
Os tesouros cravados na coroa
Da insanidade, que dá vida as coisas bobas
Que me faz lembrar de ti
Consumido pelo absinto, a lua
Exibindo sua glória
A lição da manhã é árdua
Esquecer não é possível.

A fumaça modula uma cortina
Para morrer a cada respiração
Buscar uma saída é o mesmo que
Dizer adeus
O ar da mudança não é uma conversa
E nem te sentir perto de mim
A gravidade é você em meus braços
Eu sei que depois queremos a alma
Mas ela não nos pertence
Já que o amanhã é único
Deixemos a tristeza da tentação
Conhecer a solidão que é ser eterno
Isso é tudo!.

(MV)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O caminho do meio

Supostas ruas me viram contornar as razões
E iniciar o futuro patético de sonhos
Comprados pelo desespero, nada para indagar
Suborno para possuir o sono da absolvição
Repetindo mais um dia com barbitúricos
Para a cama me aceitar com meus problemas
Continuar louco com intenção de obter um laudo
Que sou escritor da lucidez.

Dirigir a tranqüilidade da ação extrema
Do que eu não posso ser todo o tempo
Maneiras de publicar uma identificação
Precoce sobre vitimas, só há uma!
Fazer tudo de novo, em novas ruas
Permanecer onde estive não basta
Vou seguir o caminho do meio até o retorno.

(MV)

Encontros e desencontros

Sempre te quis, mas não demonstrei
Nunca mais te vi depois que te amei
Nunca soube por que te perdi
Sempre soube que não naveguei
Talvez seja porque o mar não espera.

Hoje tive a certeza que ao te perder ganhei
Talvez pela incerteza da vida ou quem
Sabe foram às ondas dos pensamentos
Que me fez recolher diante do tempo
Hoje mudei meu coração para um caminho
Estreito que ainda não conheço.

Talvez seja porque o romance está morto
Hoje o silêncio se fez presente em minha dor
Talvez porque pessoas como você não tenham escolha
Hoje é mais um dia e não nos encontramos
Dentro dessa mentira
Hoje talvez o sentimento torne-se
Fugaz e caia levemente na rua dos desencontros.

(MV,MS)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Felicitate

A preocupação de todos é como um conselho,
Um tiro na fotografia da satisfação,
O pesar é que ela não sangra nem morre,
O sonho das brincadeiras são apenas palavras,
No jardim do desejo onde ninguém semeia,
Não há futuro diante da verdade.

A mentira que você afaga em seus braços,
Como uma criança estranha,
Irá crescer como sua dor,
O tempo é um círculo, ele voltará,
A explicação é uma benção não dita,
Aos que querem um motivo para viver.

O pecado é uma instigante e maravilhosa forma de iludir,
Seja eu ou o conselheiro, todos sucumbimos a ele,
Vamos para a cidade do desejo, você vem?
Não recordo do simples fato onde é,
Ele está onde quiser, eu o encontrarei,
O prazer ainda é o atalho mais rápido para a felicidade.



(MV)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Viver aprendendo. Aprendendo?

Nesse ano novo o que viver? Eu não sei. Posso dizer aos meus leitores que uma das primeiras coisas que ouvi foi uma música que dizia assim: ''cantar a beleza de ser um eterno aprendiz". Isso me confunde. Há beleza em ser um eterno aprendiz? Por acaso nós somos aprendizes eternos? Eu não sei disso não, aliás eu sei de nada. Eu vivo quebrando a cara, as pessoas que conheço também vivem quebrando a cara... Alguns dizem que com toda essa sacanagem que acontece com a gente nasce algo de bom: a experiência. Ganhamos experiência em tudo que fazemos, isso serve para podermos lidar melhor com os próximos desafios, mas eu anuncio que essa "experiência" só serve se repetirmos o mesmo erro, algo que seria no mínimo idiota tendo em vista que a gente já se ferrou com aquilo.

Por curiosidade a gente se dispõe então a viver algo novo, que por sinal é bem idiota também, porque se vamos viver o desconhecido é quase certo que vamos nos afundar de novo. O que concluo então? Concluo que estamos livres pra escolher entre duas opções idiotas: viver algo já vivido com a falsa esperança que podemos lidar melhor com o que achamos que já aconteceu, digo isso porque já temos uma ''experiência" e dificilmente a gente vai conseguir trilhar o mesmo caminho, logo vamos percorrer um novo caminho que ainda não conhecemos e obviamente iremos nos foder de novo. Podemos também escolher admitir viver algo novo sempre e sempre, ou seja, se ferrar sempre e sempre...

Retorno a pergunta: somos aprendizes eternos? Porra nenhuma! O que eu sei por analogia é que todo mundo morre. E se morre sabendo das coisas é até engraçado, né!? E daí!? Morreu mesmo. Bem dizia Oscar Wilde: ''a minha experiência me ensina o seguinte: logo que alguém está velho o bastante pra saber das coisas, então já não sabe mais nada''. Enfim, experiência também tem prazo de validade, estamos na merda mesmo.

Apesar disso tudo eu adoro viver e sinceramente desejo a todos um grande e forte pára-choque nesse ano novo e sempre, para podermos viver melhor, apanhando, mas vivendo. Viver é adorável e bem idiota. Pra terminar eu cito Nietzsche: ''É isso a vida? Então vamos lá."


(MS)